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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Rises

Em 20 de julho de 2008, após mais de um mês de inatividade neste mesmo blog um certo filme me deu inspiração pra voltar a escrever. Batman - O Cavaleiro das Trevas havia sido lançado dois dias antes.

Dessa vez a hiato no blog era um pouco mais sério, desde fevereiro não escrevo aqui, mas nada que um filme de Christopher Nolan não resolva. Portanto já peço desculpas se o texto não estiver tão bom, são meses sem praticar.

Acredito ser desnecessário contar o resumo do filme, mas acho válido começar falando das dúvidas que todos - ou quase todos - tivemos há alguns anos: será que Nolan fará um filme melhor que o anterior? Bane dará um bom vilão? Anne Hathaway uma boa Mulher-Gato? Respondei a essas perguntas abaixo.

Após quase uma hora de filme, confesso que estava decepcionado na sala de cinema, pensei de verdade que Nolan não chegaria perto da obra-prima que foi O Cavaleiro das Trevas, mas subestimar esse homem é um erro. Não só a ele como sua equipe. Os efeitos visuais sóbrios, coisa difícil de acontecer em filmes do gênero, figurino super acertado, fotografia excelente como nos acostumamos a ter com Pfister e a trilha sonora maravilhosa de Hans Zimmer - que estou ouvindo enquanto escrevo este texto.

Bom, começando a falar dos personagens, o que mais me decepcionou foi Tate de Marion Cotillard, achei bastante fraca mesmo com seu propósito bem definido na última parte do filme, mas já sabemos que personagens femininas não são o forte de Nolan e seu irmão, Jonathan, com quem escreveu o roteiro de Dark Knight Rises. Anne Hathaway está melhor do que esperava, mas se não fosse pelo nome de sua personagem poderíamos nem identificá-la como Mulher-Gato, apenas uma ladra ficaria de bom tamanho. Ela não é diferencial no filme, mas é eficaz no que se propõe.

Já o personagem de Joseph Gordon-Levitt sim, é uma grata surpresa em todos os sentidos, necessário à trama, bem trabalhado, bem interpretado e bem dirigido. Christian Bale continua fazendo bem a proposta desse seu Batman, com a voz característica e as mudanças físicas nítidas na tela, continua ótimo. Morgan Freeman continua sendo o que Lucius Fox precisa ser, sem tirar nem por. Michael Cane e Gary Oldman. Dois atores maravilhosos, disso sabemos, mas que nos entregam performances arrebatadoras, o primeiro então, em seus poucos momentos em tela consegue emocionar como poucos e Oldman, esse aí sempre sabe o que faz.

Agora, Tom Hardy e seu Bane. Que Hardy é um puta ator isso tá provado, mesmo fazendo filmes de ação, romance, o cara sabe atuar e muito bem. Nesse filme sua interpretação sutil apenas pelo olhar é mais do que suficiente. O trabalho de voz é muito bem feito, mas no cinema fiquei com uma sensação estranha, a voz alta demais, um pouco falsa até, por vezes não parecia vindo dele. Mas é um detalhe, Nolan consegue filmar Bane sempre de modo amedrontador, sem medo, capaz de qualquer coisa, sem dúvidas um vilão muito melhor do que imaginava quando foi anunciado.

Não quero deixar o texto maior do que já está, falar de como em certo momento o filme se torna completamente sobre a cidade de Gotham e menos sobre seu herói, ou como o roteiro, mesmo sendo ótimo possui falhas, sim, o fato de Bruce Wayne retornar à cidade sem dinheiro e sem documento ainda não me ficou claro. Mas todo o clima de tensão, urgência e medo criado, de todas as pontas terem sido bem amarradas e os últimos 15 minutos serem absolutamente geniais - deixando espaço até para teorias de conspiração - fazem de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge um final excelente para uma trilogia que marcou de todas as formas possíveis não só o cinema adaptado de quadrinhos, mas a indústria de modo geral.

1º - O Cavaleiro das Trevas
2º - O Cavaleiro das Trevas Ressurge
3º - Batman Begins

Nota: 5/5

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises)
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan e Jonathan Nolan
Elenco: Christian Bale, Tom Hardy, Michael Cane, Gary Oldman, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Anne Hathaway, Morgan Freeman

Dark Knight



terça-feira, 20 de setembro de 2011

Sexo Sem Compromisso X Amizade Colorida

Esses dois filmes do título são lançamentos recentes e com a mesma temática: amigos que estão desgostosos com o amor, decidem fazer sexo sem toda aquela enrolação de um relacionamento, apenas para aproveitar o prazer da coisa sem a parte chata de um namoro e sem risco de levar um pé na bunda

"No Strings Attached" traz Ashton Kutcher - nos holofotes pela entrada na série "Two and a Half Men" no lugar de Charlie Sheen - e Natalie Portman, vencedora do Oscar 2011 por "Cisne Negro". No mínimo interessante só por vermos Natalie Portman em um papel leve e sendo sexy como sabe. Mas a química entre o casal deixa a desejar, o filme cai demais na mesmice não apresenta absolutamente nada de novo e tenta apostar tudo na beleza de seus protagonistas, os coadjuvantes tentam dar aquele alívio cômico, mas não convence. Pena que um diretor experiente como Ivan Reitman não entrega nada de novo. Mas ainda assim se você estiver de bom humor o filme vale por Natalie Portman, mas tente não gastar muito dinheiro assistindo.

E quanto a "Friends With Benefits" - reparem que até os títulos originais revelam o quão parecidos são - que chegou alguns meses depois tem como casal principal Justin Timberlake - cada vez mais ator que cantor, e até que talentoso - e a outra mulher linda de "Cisne Negro": Mila Kunis. Bom, nessa "disputa" Kunis leva a melhor. "Amizade Colorida" consegue ser bem mais despretensioso do que o anterior, a química entre os protagonistas é ótima - sim, aqui o diretor Will Gluck também aproveita a beleza física do casal, mas seria difícil não fazê-lo, porque né... Gluck é responsável por outro filme que tem a temática batida e que amei: A Mentira (Easy A). O filme é bem mais engraçado, leve, sexy, só peca com o draminha na metade final - que também existe no outro filme, mas estilos de draminhas diferentes.

Se você não tá afim de ver dois filmes muito parecidos, aconselho "Amizade Colorida", mas se não tiver muito o que fazer e talz com aquela minita ao lado, veja os dois, quem sabe não tira umas boas ideias daí né...



sábado, 12 de março de 2011

Mary e Max - Uma Amizade Diferente

Nos últimos anos venho ouvindo bastante os cinéfilos em geral falando de "animações de gente grande", no sentido de que tal filme, apesar de ser uma animação - e imediatamente direcionada a um público infantil, atinge os "adultos" de forma muito mais intensa. "Wall-E" com todas suas referências cinematográficas, "Ratatouille" e toda sua sutileza. Mas acho que, num período recente, nenhum se encaixa melhor na definição de "animação pra gente grande" do que "Mary e Max".

O filme conta a história de Mary, uma menininha que mora na Austrália, sem amigos, com pais relapsos e insatisfeita com a própria aparência física que começa a se corresponder com Max, um adulto morador de Nova York, EUA. Também sem amigos, vários vícios e diagnosticado com síndrome de Asperger, que seria uma espécie de autismo, onde a pessoa tem dificuldades em entender metáforas, acredita em tudo literalmente.

O subtítulo escolhido no Brasil não poderia ser mais apropriado, "uma amizade diferente" pode definir bem a relação de Mary e Max. Mas Adam Elliot, diretor e roteirista do filme, consegue transformar toda essa diferença em algo tão natural, algo que é óbvio, que complementa os dois. Transforma simples cartas em depoimentos emocionados, que tocam tão fundo seu coração que é bem difícil se dar conta de que tais palavras estão saindo de personagens feitos em stop-motion.

Acho que um filme te conquista de verdade quando você começa a escrever sobre ele, e conforme vai lembrando seus olhos enchem-se de lágrimas novamente. E isto não é um feito fácil, o que dá ainda mais destaque ao que Elliot faz com toda a equipe que monta um filme que extrapola qualquer tipo de definição, de rótulo: "Mary e Max" é um filme genial e ponto.




Mary e Max - Uma Amizade Diferente (Mary and Max)

Direção: Adam Elliot
Roteiro: Adam Elliot
Elenco: vozes de Toni Collette, Philip Seymour Hoffman e Eric Bana

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Minhas Mães e Meu Pai

A partir da semana que vem começo o "TCR Awards", segunda edição nesse formato e terceira em lista de filmes. A lista já está pronta, mas aguardarei mais alguns dias caso veja filmes que mereçam entrar nela. Agora vamos à review:



Um dos filmes "indies" favoritos dessa temporada, "Minhas Mães e Meu Pai" segue, digamos, uma fórmula clássica para um filme ser considerado mesmo independente, além do baixo orçamento: força no roteiro e em suas atuações. Geralmente o diretor, no caso diretora (Lisa Cholodenko) não se destaca muito, obviamente não tem cenas grandiosas, mas é compensado pela emoção, pelas atuações sempre muito críveis e este exemplar não fica atrás.

Ao contar uma história de um casal de lésbicas que possui dois filhos e estes decidem conhecer o doador de espermas que os geraram, o filme poderia cair em um lugar comum. Não pense que o excelente roteiro de Cholodenko e Stuart Blumberg não é clichê, pois em vários aspectos é sim, mas nada que comprometa o toque pessoal que o filme tem, em diálogos e construção dos personagens bem interessantes. Aliás esses personagens que fazem o filme ser tão agradável, graças, claro, a um elenco muito bem selecionado.

Annette Bening e Julianne Moore interpretam o casal, Mark Ruffalo o "pai" e Mia Wasikowska e Josh Hutcherson os filhos. O trio adulto está impecável, são atuações críveis, realistas, que te colocam dentro da história de verdade, mas para mim Annette Bening consegue subir um pouco mais alto. Talvez por ter me identificado mais com sua personalidade consegui sentir toda sua angústia e emoções por qual passava, impecável.

"Minhas Mães e Meu Pai" é um ótimo indie que deve agradar a grande maioria do público além de entregar performances dignas dos prêmios que estão chegando. Recomendo.


Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right, 2010)

Direção: Lisa Cholodenko
Roteiro: Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg
Elenco: Annette Bening, Julianne Moore, Mark Ruffalo, Mia Wasikowska e Josh Hutcherson.
Extra: Custou US$4 milhões. Indicado a 4 Globos de Ouro 2011 (Melhor Filme Musical/Comédia, Melhor Roteiro e Melhor Atriz em Comédia/Musical para Bening e Moore)


domingo, 15 de agosto de 2010

Fúria de Titãs (2010)

Sinceramente não tinha pressa para assistir a refilmagem de "Fúria de Titãs", acabei vendo por ser um torrent de alta qualidade, bem o que um filme desses pede - uma imagem que valorize seus efeitos especiais. E acabou sendo bem o que eu esperava: um blockbuster sem Christopher Nolan - brincadeira, mas ainda assim verdadeira.

O filme conta a história de Perseu (Worthington), filho de Zeus (Neeson), que parte em uma aventura movida a vingança para salvar a princesa Andrômeda e matar o deus do submundo - Hades (Fiennes), passando pela Medusa e pelo temido Kraken.

O diretor Louis Leterrier ("O Incrível Hulk", de 2008) faz aquela típica direção de filmes do gênero: com bastantes efeitos especiais, muita luta, muita câmera lenta e pouca profundidade. Por esse motivo que no primeiro parágrafo do texto disse quem é um blockbuster sem Nolan, que faz filmes para grandes públicas sem serem rasos, pelo simples fato de explodir as coisas para ganhar dinheiro.

Não conferi o original de 1981, portanto não posso comparar o estilo de direção - que teve o desafio de não contar com a tecnologia dos dias de hoje - e nem o roteiro, dificultando saber até onde posso culpar a dupla de 2010 por diálogos de incentivo mais do que batidos - um deles feito pelo próprio protagonista que chegou a lembrar o de "Avatar", em escala menor - e tentativas de fazer frases de efeito.

O elenco cumpre o básico, destaque para a versatilidade já conhecida de Ralph Fiennes que faz desde Voldemort ("Harry Potter") até um mordomo gay ("Bernard e Doris") e Liam Neeson que não consegue escolher bons papéis. Além do novo queridinho de filmes de ação: Sam Worthington.

Bons efeitos, bom som, bom visual e o resto bem genérico. Vale pra entreter e divertir, mas vá esperando e querendo isso, não um filme marcante e memorável, aí não se decepcionará.


Fúrias de Titãs (Clash of the Titans, 2010)

Diretor: Louis Leterrier
Roteiro: Travis Beacham e Phil Hay
Elenco: Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes, Gemma Arterton, Jason Flemyng
Extra: Custou US$125 milhões. Remake do filme de 1981. 106 min.


sábado, 31 de julho de 2010

Os Suspeitos

Há um tempo tinha curiosidade de ver o filme que lançou Bryan Singer de verdade em Hollywood, ainda mais que este aparecia em várias listas como um ótimo filme de suspense, enfim...

O longa conta a história de cinco conhecidos criminosos que são presos pela polícia após o roubo de um caminhão cheio de armas, aparentemente sem motivo para justamente aqueles cinco terem sido escolhidos, o encontro acaba levando-os a uma situação muito maior e com grandes consequências.

O roteiro vencedor do Oscar de McQuarrie é muito bom, com ótimas falas, uma linha de pensamento muito bem construída, com tensão, reviravolta, bons personagens, sem cair no clichê, tudo isso claro, com a mão do diretor que mantém o filme linear, retirando bem o que precisa de seus atores, bons ângulos de câmera - que graças a ótima fotografia deixa o clima muito melhor construído.

O elenco foi bem escalado, Spacey é um ator muito linear, que no, provavelmente, papel mais difícil do filme convence completamente, Byrne é um ótimo ator e mostra seu lado mais sombrio que não conhecia antes - só o via antes na série "In Treatment", em que faz um psicólogo. O resto do elenco de apoio ajuda de forma eficaz e, sinceramente, nem reconheci Del Toro magrinho daquele jeito.

O tão comentado final é, sem dúvida, bem feito, mas não me choquei tanto assim. Muitos podem achar que é só pra não mostrar a surpresa, ou algo do tipo, mas acho que depois de tanto tempo do filme ser lançado já devo ter visto coisas semelhantes, provavelmente inspirados nele. É um ótimo thriller, vale a pena ser conferido, mas mostra bem o estilo de Singer, filmes competentes, que valem o ingresso.


Os Suspeitos (The Usual Suspects, 1995)

Direção: Bryan Singer
Roteiro: Christopher McQuarrie
Elenco: Gabriel Byrne, Stephen Baldwin, Benicio Del Toro, Kevin Spacey, Kevin Pollak, Chazz Palminteri
Extra: Vencedor de dois Oscar: ator coadjuvante (Kevin Spacey) e roteiro original. Custou US$6 milhões. 106 minutos.


domingo, 25 de julho de 2010

Ninja Assassino

Reparei que ultimamente venho escrevendo mais sobre obras que me desagradaram do que o contrário. Talvez não esteja vendo tantas coisas boas, esteja chato, baixando os filmes errados. Talvez. O que importa é que preciso vir aqui prestar um serviço público aos meus amigos cinéfilos: não vejam esse filme.

"Ninja Assassino" é aquele típico filme voltado para um público bem específico: sem profundidade, poucas falas, muita luta e uma história genérica. Muitos podem dizer que a grande parte de nós, que gosta de cinema, escreve sobre ele, não gosta de "filmes pipoca", blockbusters, mas não é verdade. Claro que a maioria não vale a pena, mas alguns até divertem, passam o tempo sem nos fazer sentir vergonha pelo que vemos em tela.

Essa obra conta a história do ninja Raizo, treinado desde criança para ser um ninja perfeito, volta-se contra seu clã; uma vez que uma pesquisadora começa a chegar perto da verdade sobre os ninjas. Um filme de ninja pode render excelentes coreografias, nesse caso específico, podia ter uma boa fotografia, uma direção de arte e efeitos especiais decentes, mas nunca vi uma produção usar um sangue tão falso sem ter essa intenção.

Um primo meu que gosta dos filmes blockbusters, tentou dizer que era pra ser assim mesmo, mas não era. "V de Vingança", "300" e vários outros filmes possuem uma quantidade de sangue considerável e até exagerada, mas não chegam ao patético nível apresentado no filme do direito McTeigue. Sua direção aliás quando tenta um ângulo diferente ou algo do tipo fica forçada e risível. O roteiro não poderia ser mais superficial, com o único objetivo de ter uma história para caber em 1 hora e meia. A fotografia poderia aparecer e não chega nem no quase.

Uma coreografia de luta aqui, outra ali, são mais legais, mas no geral, decepcionam. Péssimas atuações que não ajudam em nada. Acho que já deu pra entenderem, né? Se alguém gostar, peço pra tentar me mostrar, que fiquei impressionado o quanto detestei, mas de forma alguma recomendo que veja.


Ninja Assassino (Ninja Assassin, 2009)

Direção: James McTeigue
Roteiro: Matthew Sand e J. Michael Straczynski
Elenco: Rain, Naomie Harris, Ben Miles, Rick Yune
Extra: 99 min., produzido pelos irmãos Wachowski


domingo, 18 de julho de 2010

Fama (1980)

Ano passado foi lançado o remake de "Fama", achei até interessante, mas quis esperar para ver o original antes e poder fazer um comparativo melhor. Após ver o original não tive a mínima vontade de ver o remake.

O filme acompanha a vida de jovens que estudam arte em uma universidade de Nova York, mostrando seus dramas, seus problemas, enfim, uma sinopse que vimos muitas vezes por aí, mas pelo ano do filme - 1980 - achava que ele mostraria algo novo, ou pelo menos a base de tantos outros filmes no mesmo estilo que temos hoje em dia; aliás assim que terminei de ver o longa me perguntei se era o filme certo - já que uma vez, nesse mesmo canal, TCM, a programação da TV indicava um filme e o canal passava outro - só tive certeza pela canção "Fame", o que acabou me decepcionando.

Sem dúvida essa canção é boa, aliás nem sabia que era desse filme, ganhou versão em português ("Soul de Verão" se bem me lembro), mas acho tudo muito sem graça. O filme é longo, os atores e os personagens pouco carismáticos, algumas cenas não possuem muito sentido, apesar de serem divertidinhas - a da música na rua, quem viu vai entender - e são histórias que não emocionam, soam forçada. A direção é apática e não vejo muitos méritos para o roteiro ter sido indicado ao Oscar.

Para não me prolongar muito, "Fama" decepciona um pouco, quem sabe sua nova versão possa ter melhorado em alguns aspectos, seus pontos altos não conseguem fazer o filme valer como um todo, possui boas partes, mas só.


Fama (Fame, 1980)

Direção: Alan Parker
Roteiro: Christopher Gore
Elenco: Eddie Barth, Irene Cara, Lee Curreri, Laura Dean
Extra: Vencedor do Oscar de 1981 de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original ("Fame") e outras 4 indicações - edição, som, roteiro original e canção original ("Out Here on My Own")


quarta-feira, 23 de junho de 2010

Toy Story 3

Provavelmente o filme mais aguardado da Pixar em longos anos. Afinal de contas em 1995 fomos apresentados a uma turma de brinquedos quase impossível de não se apaixonar. Afinal todos nos brincamos com brinquedos um dia e quem não queria que tivessem vida enquanto estivéssemos longe?

Em 2010 a terceira parte da aventura de Woody, Buzz, Rex, Jessie e toda a turma é um pouquinho diferente: seu dono Andy está indo para a faculdade e os brinquedos sofrem com a idéia do que acontecerá então.

Talvez pela nostalgia, por estar mais velho, na faculdade também, "Toy Story 3" é, da trilogia, o que mais me emocionou, aliás o filme consegue - como só a Pixar sabe fazer - mesclar na comédia partes dramáticas com a devida intensidade que emocionam a qualquer coração. Mas não é só da parte "pesada" que o filme se sobressai, suas sequências de comédia são tão boas quanto sempre foram, algumas realmente inspiradas com o Buzz espanhol. A primeira sequência do filme é lindíssima e nostálgica e seu final encantador.

O diretor, Lee Unkrich, após participar de vários filmes do estúdio, co-dirigindo "Toy Story 2", "Procurando Nemo", "Monstros S.A.", assume sozinho pela primeira vez. Pra ser sincero esse homem de 43 anos foi muito corajoso em assumir a terceira parte do único filme do estúdio a ter continuação, tamanho seu sucesso. Uma baita responsabilidade que o "novato" assume com força e nos entrega outra grandiosa obra da sempre genial Pixar. Nunca citei tanto o nome de um estúdio, porque o que ela consegue fazer é algo de outro mundo. Gostar de todas as suas produções - em níveis diferentes, sim, mas nenhuma que possa ser considerada fraca, apenas menos impressionante que a outra - é algo admirável.

"Toy Story 3" não é o melhor filme da Pixar, mas consegue trazer com estilo e qualidade nossos heróis de volta e matar a saudade. Eles conseguiram. De novo.


Toy Story 3 (idem, 2010)

Direção: Lee Unkrich
Roteiro: Michael Arndt e John Lasseter
Elenco: vozes originais de Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Ned Beatty
Extra: 103 minutos.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Querido John

Ao ver o trailer ou apenas ouvir falar sobre "Querido John" conseguimos imaginar metade do filme e seu óbvio público-alvo. Nenhum novidade até aí, temos vários exemplares como "Um Amor Para Recordar", o recente "Cartas para Julieta" - estrelado pela própria Amanda Seyfried, portanto já desisti de criar alguma expectativa sobre esses filmes, o que pode acabar sendo bom e me surpreender. Infelizmente, não é o caso deste exemplar.

O longa mostra a imediata e apaixonante relação de John (Tatum) e Savannah (Seyfried), que ao final de um verão perfeito o homem tem de voltar ao exército. Nota-se a profundidade do longa no resumo, isso para não entregar absolutamente nada da história...

Enfim, o próprio diretor, Lasse Hallström, já nos entregou filmes que gostei, como "Regras da Vida" e "Gilbert Grape - Aprendiz de Um Sonhador", mas nada fantástico. Sua direção é bem simplista, fazendo o básico na condução da história, junto de um roteiro bem fraco - aliás, o livro em que o filme é baseado, de Nicholas Sparks, o autor é o mesmo de "Noites de Tormenta", "Um Amor Para Recordar" e "Diário de Uma Paixão", portanto qualquer semelhança não é mera coincidência.

As atuações são realmente superficiais, apesar do nítido esforço de Seyfried e Tatum, não consegui acreditar em suas performances, com uma leve exceção à cena do hospital, em que o rapaz contracena com a única coisa boa do filme: o pai, personagem de Richard Jenkins, este sim, mesmo em um filme ralo, consegue colocar densidade em seu papel - o mais interessante da trama. Vale reconhecer o trabalho do homem. Essa cena é a melhor parte do filme, porém não boa o suficiente para fazê-lo valer a pena.

O roteiro caminha pela previsibilidade e não aconselho a gastar seu dinheiro no filme. Veja na TV com alguém ao lado, provavelmente será melhor. Um filme simpatiquinho que Jenkins domina. Só.


Nota: 4,5

(Dear John, 2010)

Direção: Lasse Hallström
Roteiro: Jamie Linden (baseado na obra de Nicholas Sparks)
Elenco: Channing Tatum, Amanda Seyfried, Richard Jenkins, Henry Thomas
Extra: Custou US$25 milhões. 108 minutos.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Sonho de Cassandra

Eu já disse anteriormente no blog que não sou grande fã de Woody Allen, principalmente seus filmes mais antigos que não sei porquê são tão idolatrados. Mas o Woody "londrino", por assim dizer, vem me agrandando. "Vicky Cristina Barcelona", "Scoop - O Grande Furo", são filmes bem interessantes e gostosos de assistir. "O Sonho de Cassandra" é bem mais "dark" que os citados anteriormente, mas funciona.

A trama mostra os irmãos Ian (McGregor) e Terry (Farrell), o primeiro é investidor e pensa em um projeto para o futuro, o outro é viciado em jogos. De um jeito acabam tendo de pedir dinheiro a um tio milionário (Wilkinson), mas o que este pede em troca muda os rumos da história.

Não posso dizer que é uma reviravolta, surpreendente, nem nada, um dos aspectos em que o roteiro mais peca é na previsibilidade, mas acerta na boa construção dos irmãos, alguns momentos curiosos e bem elaborados, mas nada muito inspirado. A direção também não inova em nenhum ponto, é correta e cumpre bem as exigências do longa.

Farrel e Wilkinson nos dão ótimas performances, McGregor está bom, como na maioria das vezes, mas é um pouco ofuscado. A profundidade maior de Terry conseguiu extrair mais de seu intérprete.

A trilha sonora é quase ausente na maior parte do filme e o som sobe em momentos de tensão ou suspense, o que acabam contribuindo para a previsibilidade, antes comentada. "O Sonho de Cassandra" é um bom filme, vale a pena ser assistido, apesar das falhas.


Nota: 7,5

(Cassandra's Dream, 2007)

Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Elenco: Ewan McGregor, Colin Farrell, Tom Wilkinson, Sally Hawkins, Hayley Atwell
Extra: Custou £13 milhões. 108 minutos.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Ônibus 174

Eu tinha apenas 9 anos em 2000, quando aconteceu o caso do ônibus 174, mas mesmo tão jovem me lembro perfeitamente da televisão transmitindo aquilo o dia inteiro, as professoras falando pela escola e aquele desfecho que causou indignação em grande parte da população.

Dois anos depois, José Padilha decide fazer um documentário a respeito do caso. Excelente materialque nas mãos desse ótimo diretor se tornou mais uma belo exemplo dessa categoria nacional. Ao contrário do recente - e de ficção - "Última Parada 174" (2008), de Bruno Barreto, que na minha opinião pareceu querer abrandar demais, justificar demais a ação do delinquente, Sandro do Nascimento. O documentário faz o correto: apresenta todos os lados da história e te permite tirar suas próprias conclusões a respeito.

Toda a produção do filme, desde ouvir jovens de rua, até um dos chefes do BOPE (Batalhão de Operações Especiais), garante ao filme credibilidade. Explica todos os fatos que possam, talvez, ter direcionado a ação de Sandro - a morte da mãe, a chacina da Candelária - e também sua parte bandida, que apesar de sofrida, não justifica seus atos.

O depoimento das vítimas que estavam no ônibus, mostram um lado da história que só podíamos saber, verdadeiramente, através delas próprias. O da "mãe" de Sandro é, provavelmente, o mais emocionante do filme.

O documentário vai além. Mostra inclusive as instalações do Insituto Padre Severino, para jovens infratores, as cadeias, questiona como daqueles lugares deploráveis podem sair marginais "recuperados"?

Padilha sabe conduzir e abordar o tema de forma impecável, sabendo emocionar, chocar, denunciar e informar.

Nota: 9


(idem, 2002)

Direção: José Padilha
Roteiro: José Padilha
Extra: Indicado ao Directors Guild of America 2004, para melhor direção em documentário (José Padilha).

quinta-feira, 8 de abril de 2010

X-Men Origens: Wolverine

A franquia "X-Men" é tudo que Hollywood mais ama: uma fórmula com público certo sem precisar se preocupar muito com história ou esses aspectos mais chatos, basta gastar milhões com efeitos visuais e especiais. Após "fecharem" a série em grupo, não poderiam deixar essa fonte de dinheiro secar, portanto, vamos contar as origens dos principais mutantes. Pra começar? Provavelmente o mais popular deles: Wolverine - que de quebra é interpretado pelo galã Hugh Jackman.

A "trama" mostra Logan no início de sua vida, pacata, trabalhando numa madeireira e apaixonado por sua mulher, claro que tudo isso muda e papo vai, papo vem ele decide deixar que um grupo militar o use como cobaia de um experimento. A experiência funciona e agora o esqueleto de Logan e coberto de adamantium, uma espécie de metal indestrutível. E partimos pra porrada.

Fiquei surpreso ao constatar que os efeitos visuais do filme ficam abaixos do padrão que nos deixaram acostumados nos dias de hoje. Algumas cenas ficam feias - quase como aquelas de "Crepúsculo", meio amadoras, com a licença claro, já que a culpa é da própria indústria que nos mima com efeitos cada vez mais impressionante.

A história é rasa, como esperada, as atuações são fraquíssimas, também já esperada. Apesar de Hugh Jackman ter um talento maior do que apresenta, mas o personagem não lhe permite crescer - já provou suas habilidades em outros trabalhos. Os outros atores não acrescentam nada, fazendo apenas o necessário, não sendo ridículos, mas nem relevantes. Foi bacana ver o Gambit pela primeira vez (já que curto a série, mais pelo desenho animado de anos atrás e pelos primeiros filmes) e nem lembro de Ryan Reynolds, acho que dormi quando ele apareceu.

A direção de Hood é fraquíssima. Num filme do gênero esperamos ao menos boas cenas de luta, nesse vi apenas uma que foi mais bacana. Completamente perdido.

O filme falha em todos os aspectos e espero que, se quiserem fazer mais filmes, chamem Bryan Singer de volta, ele ao menos fazia filmes divertidos de serem vistos.


Nota: 3


(X-Men Origins: Wolverine, 2009)

Direção: Gavin Hood
Roteiro: David Benioff e Skip Woods
Elenco: Hugh Jackman, Liev Schreiber, Danny Huston, Taylor Kitsch, Ryan Reynolds, Will.I.Am
Extra: Custou US$150 milhões

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Nine

Creio que todo fã de cinema e em especial, fãs de musicais, ficaram empolgados quando as primeiras notícias de "Nine" chegaram. Um elenco mais do que excelente, um diretor com certa experiência no gênero e uma boa história. Então o que aconteceu para que pouquíssimos cinéfilos tenham gostado do filme?

Antes, tenho que dizer que mesmo lendo tantas coisas negativas, mantive o otimismo, gosto do gênero e achei que o filme me agradaria mesmo assim. Infelizmente, me enganei. O longa conta a história de Guido Contini (que é oficialmente o nome que mais odeio no mundo, de tanto que foi repetido nas duas horas de projeção), um cineasta de sucesso que ultimamente só vem fazendo fracassos, atravessando uma crise criativa e que todos criam grandes expectativas sobre sua nova obra. O problema? O homem não tem idéia sobre o que será o filme ainda.

Guido (Day-Lewis) é rodeado por mulheres: sua esposa, ex-atriz que deixou a carreira (Cotillard), a amiga e figurinista (Dench), a mãe (Loren), a fã/jornalista (Hudson), a amante (Cruz), a estrela/musa (Kidman) e a prostituta (Fergie). Cada uma ocupando um espaço em sua vida, seja que agora ou no passado.

O que mais fiquei impressionado é como um elenco com tanta gente boa pode fazer algo tão ruim. Acho que podemos saber isso ao término do filme: as duas melhores performances musicais foram de Fergie e Kate Hudson. Fergie e Kate Hudson! Ok, ok, a fotografia funciona muito bem, a direção de arte é super competente e o figurino é muito bonito. Acabou.

Suas músicas funcionam melhor sendo ouvidas enquanto se escreve algo (como agora) do que propriamente no filme. Salvo as duas que comentei anteriormente e "Take it all", apresentada por Marion. A direção de Rob Marshall é confusa, o roteiro bagunçado, não consegui sentir nenhuma afeição por nenhum dos personagens, o filme parece um grande videoclipe.

Nunca vi Daniel Day-Lewis tão caricato, um dos melhores de sua geração. Não entendi a indicação de Penélope Cruz para o Oscar, ela não faz praticamente nada, além de ser extremamente linda, Marion podia - e devia - muito bem estar em seu lugar, agora por que o estúdio a classificou como principal, não sei, ela é a melhor coisa no filme. As outras atrizes estão apenas corretas. Iupi.

"Nine" decepciona extremamente com uma história que não nos leva a lugar nenhum, não funciona como musical e é ralo demais. Ainda não acredito que a Fergie foi um dos pontos altos do filme...


Nota: 4,5


(idem, 2009)

Direção: Rob Marshall
Roteiro: Michael Tolkin e Anthony Minghella
Elenco: Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Judi Dench, Nicole Kidman, Kate Hudson, Sophia Loren, Fergie.
Extra: Indicado a 4 Oscars: Direção de Arte, Figurino, Canção Original ("Take it all") e Atriz Coadjuvante (Penélope Cruz). Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia/Musical, Canção Original ("Cinema Italiano"), Ator Comédia/Musical (Daniel Day-Lewis), Atriz Comédia/Musical (Marion Cotillard) e Atriz Coadjuvante (Penélope Cruz). E ao BAFTA de Cabelo/Maquiagem. Custou US$80 milhões.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Um Homem Sério

Essa nova obra dos irmãos Coen vem despertando emoções diferentes sobre nossos amigos cinéfilos. Alguns adoraram, outros nem tanto. A minha visão? É um bom filme.

O longa nos apresenta a Larry Gopnik (Stuhlbarg), um professor, pai de família, judeu, de classe média e um homem sério que começa a ver sua vida cair a sua volta. Sua vida não tem nada de peculiar, mora com a esposa - em um relacionamento frio e distante, com dois filhos um tanto quanto problemáticos e o irmão doente que fica horas no único banheiro da casa.

Dá para notar que o filme é simples quando vemos seu orçamento de "apenas" 7 milhões de dólares, portanto não vemos uma direção de arte ou um figurino de destaque. Nem a fotografia do longa é marcante. Portanto sobre os três aspectos principais de um filme: roteiro, direção e atuação.

A atuação do protagonista é boa, convincente, engraçada, muito bem feita, provavelmente o melhor personagem da trama, com toda a sua "complexidade". Os coadjuvantes apresentam boas perfomances, que fazem o filme ser bom, mas nada impressionante.

O estilo dos irmãos está bem representado, tanto na direção como no roteiro. Sou um dos que tem grandes problemas com o final de "Onde os Fracos Não Têm Vez", mas tenho que assumir que o fim de "Um Homem Sério" conseguiu me deixar com ainda mais raiva. A história, o diálogo, a construção dos personagens vinha excelente até que o filme termina. Odiei. Ponto.

Esse final é o culpado pela maior parte das "perdas de ponto" que teve, e não acho sua indicação para Melhor Filme no Oscar muito justa. Melhor que "Um Sonho Possível"? Talvez. Mas não merecia a vaga.


Nota: 8


(A Serious Man, 2009)

Direção: Ethan Coen e Joel Coen
Roteiro: Ethan Coen e Joel Coen
Elenco: Michael Stuhlbarg, Richard Kind, Fred Melamed, Sari Lennick
Extra: Indicado ao Oscar 2010 de Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. Indicado ao BAFTA 2010 de Melhor Roteiro Original.
Indicado ao Globo de Ouro 2010 de Melhor Ator Comédia/Musical (Michael Stuhlbarg). Custou US$ 7 milhões.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Entre Irmãos

Na minha opinião "Entre Irmãos" seria um filme com uma boa trinca de atores que chamaria o público com uma boa sinopse e um desenvolvimento fraco. Fico feliz de estar, não totalmente, mas enganado.

O filme conta a história da família Cahill, Tommy (Gyllenhaal) é a ovelha negra, recém solto da prisão, seu irmão Sam (Maguire) já é o modelo, partindo para o Afeganistão e casado com Grace (Portman), com duas filhas. Quando todos pensam que Sam morreu na guerra, Tommy começa a aproximar-se de Grace, influenciados pela carência, o único problema é que Sam não morreu.

O início do filme é demasiado corrido, o roteiro parece ter pressa de contar logo os fatos iniciais, de apresentar todos os elementos dos personagens e de seus relacionamentos, a direção não demonstra nenhum esforço de segurar o ritmo também junto da montagem.

Após o primeiro ato o filme começa a imprimir um ritmo mais cadenciado, nos permitindo vivenciar mais aquela família e os, agora novos, relacionamentos que vão sendo construídos.

Não quero enrolar muito para falar da melhor coisa do filme: Tobey Maguire. Assim que comecei a ouvir burburinhos de sua atuação no filme fiquei descrente, nunca achava que o Homem Aranha pudesse nos entregar uma performance de qualidade. E ele entrega. Digo mais, Jeremy Renner roubou o lugar de Maguire na lista do Oscar. A forma como o rapaz constrói o personagem complexo, com todos seus traumas, dúvidas, emoções é um trabalho primoroso que me surpreendeu completamente.

Maguire é auxiliado pela competente Natalie Portman - que infelizmente escolhe mal seus papéis, mas que possui grande potencial e por Gyllenhaal, bom, mas que já teve momentos melhores.

"Entre Irmãos" demonstra sua força na metade final com um show de Tobey Maguire e ótimas performances de seus coadjuvantes.


Nota: 8

(Brothers, 2009)

Direção: Jim Sheridan
Roteiro: David Benioff
Elenco: Tobey Maguire, Natalie Portman, Jake Gyllenhaal
Extra: Indicado ao Globo de Ouro 2010 de Melhor Ator - Drama (Tobey Maguire) e Melhor Canção Original ("Winter")

sábado, 30 de janeiro de 2010

Simplesmente Complicado

Há alguns dias estava vendo ao "Late Show with David Letterman" e o convidado foi Alec Baldwin, promovendo seu mais recente filme "Simplesmente Complicado" e o ator esbanjou simpatia e bom humor, subiu no meu conceito - ao contrário de Susan Sarandon, mas é assunto para outro dia. E nessa entrevista, Letterman pergunta se o filme "é para mulheres", Baldwin de certa forma disse que sim e risos e piadas o assunto se perdeu. Eu arriscaria dizer que o longa é sim "para mulheres" da mesma forma que a saga Crepúsculo é "para meninas". Não, desculpe, forcei demais.

Forcei porque "Simplesmente Complicado" irá atrair um público majoritariamente feminino e as moças, provavelmente, gostarão mais do que nós, rapazes, mas isso não tira em nada os méritos da obra. Nancy Meyers - que realmente costuma fazer esse estilo de filme, conta a história Jane Adler (Streep, sempre excelente) que é divorciada de Jake (Baldwin), mas que alguma chama volta a se acender, bem na hora em que surge o interesse de seu arquiteto Adam (Martin). Daí as coisas se tornam realmente complicadas...

O roteiro de Meyers possui pontos bastantes divertidos, constroi bem seus personagens e relacionamentos, mas não nos apresenta nada de novo e por vezes parece que já vimos aquilo antes. Sua direção segue a mesma linha, simples, convencional, uma fórmula batida. Então o que faz o filme valer a pena?

Sua trinca de protagonistas o carrega muito bem, Streep dispensa comentários, até quando não gosto dela (como em "Mamma Mia!") ela é ótima, Baldwin apesar de afastado do cinema tem um timing de comédia ótimo, enquanto Martin é um comediante bom, mas adoro quando consegue fazer personagens de carga dramática (como em "Garota da Vitrine"). Vale destacar John Krasinski, conhecido por seu papel na série "The Office" vem realizando vários trabalhos no cinema e esse, talvez, seja o seu melhor, bem divertido e bem feito.

Para quem é fã de Nancy Meyers não irá se arrepender e para os curiosos, como eu, o filme é divertido e vale assistir.


Nota: 7

(It's Complicated, 2009)

Direção: Nancy Meyers
Roteiro: Nancy Meyers
Elenco: Meryl Streep, Alec Baldwin, Steve Martin, John Krasinski
Extra: Indicado ao Globo de Ouro 2010 de Melhor Filme Comédia/Musical, Melhor Atriz Comédia/Musical (Meryl Streep) e Melhor Roteiro. E ao BAFTA 2010 de Melhor Ator Coadjuvante (Alec Baldwin). Custou US$85 milhões.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

The Invention of Lying (2009)

Direção: Ricky Gervais e Matthew Robinson
Roteiro: Ricky Gervais e Matthew Robinson
Elenco: Ricky Gervais, Jennifer Garner, Rob Lowe, Jonah Hill, Louis CK, Tina Fey
Extra: Custou US$ 18,5 milhões


Ricky Gervais é um dos grandes nomes da comédia de hoje, seus seriados de sucesso como "Extras" e "The Office" são realmente engraçados, assim como seus shows de stand-up comedy e agora, nada mais comum, partiu para o mundo do cinema e em seu primeiro filme já dirige, escreve e protagoniza. Devemos admitir então que o sucesso ou fracasso estão nas mãos dele.

Como fã do comediante tinha uma certa expectativa em cima do filme que trata sobre um tema bem interessante: um mundo onde as pessoas não mentem. Simples, né? E Mark Bellison (Gervais) conta as primeiras mentiras da humanidade, quando se dá conta disso começa a mudar sua vida - já que não consegue a mulher que gosta, é péssimo em seu trabalho e um perdedor completo.

O roteiro possui bons momentos, tiradas engraçadas, mas cai muito na mesmice, partindo para o clichê e besteirol, prejudicando consideravelmente seu enredo. A direção não nos apresenta nada demais, ficando escondida sem termos muitos o que analisar.

As atuações me foram um pouco decepcionantes, Gervais possui caretas muito boas, entonação de voz excelente, mas fica um pouco repetitivo e os coadjuvantes cumprem seu papel direitinho, apenas. E a participação de Tina Fey é pequena, menor do que deveria.

De qualquer forma, Gervais decepciona nessa sua estreia, torço muito para que seu próximo filme, "Cemetery Junction" seja superior já que "The Invention of Lying" é engraçado, mas decepcionante.


Nota: 5,5

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O Lado Cego

(The Blind Side, 2009)

Direção: John Lee Hancock
Roteiro: John Lee Hancock, baseado na obra de Michael Lewis
Elenco: Sandra Bullock, Quinton Aaron, Tim McGraw
Extra: Custou US$ 29 milhões. Indicado ao Globo de Ouro e SAG Awards 2010 para Melhor Atriz (Sandra Bullock).


Acho curioso começar o post lembrando que os dois principais papéis de Sandra Bullock no cinema em 2009 ("A Proposta" e "O Lado Cego") só lhe foram oferecidos após a recuso de Julia Roberts. Não sei bem o que isso mostra da segunda, mas Bullock mostrou-se inteligente e competente, acima de tudo.

O longa de John Lee Hancock nos apresenta a um jovem de 17 anos chamado Michael Oher, que impressiona por seu tamanho, mas devido a problemas com sua mãe drogada, nunca ficou num lar de verdade. Situação que muda quando encontra a família Tuohy e, principalmente, a mãe Leigh Anne.

Eu acredito que o mais bonito que o filme nos mostra é o carinho, a dedicação, a luta e a perseverança dessa família em prol de Michael. É tão reconfortante vermos que pessoas ainda podem amar a outras sem que seja um membro de sangue da família, ou com um estereótipo definido, Leigh Anne joga todos esses conceitos por terra. O roteiro de Hancock desenvolve esse relacionamento muito bem, com diálogos simples que marcam, nunca querendo apressar o que vemos em tela, assim como sua direção correta.

Porém os maiores destaques do filme são para seus atores. O novato Quinton Aaron consegue passar bem a dificuldade de Michael Oher de ficar em uma família, em como os Tuohy vão ganhando seu amor, um personagem bem construído. E ela, Sandra Bullock. A mulher rouba completamente o filme, aliás, nem roubar, ela carrega o filme consigo com um carinho e uma sutileza invejável. Marcada por papéis cômicos e românticos, Bullock entrega uma performance dramática de alta qualidade, e pelo início do post vale dizer que sempre gostei mais dela que de Julia Roberts.

Um bom roteiro e um show de Sandra Bullock, a disputa dos prêmios de melhor atriz acaba de ficar ainda melhor, no que deve ser uma ótima disputa entre Bullock e Meryl Streep. Em quem você aposta?


Nota: 8,5

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

The Young Victoria

Direção: Jean-Marc Vallée
Roteiro: Julian Fellowes
Elenco: Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany, Miranda Richardson, Jim Broadbent
Extra: Indicado ao Globo de Ouro 2010 de Melhor Atriz - Drama (Emily Blunt).


Acho bom começar explicando que tenho um fraco por filmes de época, principalmente retratando essa temática da realeza e coisas do gênero. Dito isso, "The Young Victoria" não decepciona.

O bom roteiro de Julian Fellowes retrata a história da rainha Victoria que ao 18 anos assume o trono da Inglaterra rodeada de pessoas querendo manipulá-la, a jovem tenta manter-se fiel aos seus ideais, tenta desfrutar da recente liberdade que ganha com a coroa, já que antes de assumir era controlada pela mãe, que por sua vez era controlada pelo secretário e, para se ter uma noção, só podia subir e descer escadas de mãos dadas com alguém.

O filme, como a grande maioria dos que retratam a época, possuem um figurino impecável, uma direção de arte minuciosa e até um boa fotografia. Meu destaque maior vai para a segura direção de Jean-Marc, com ótimos ângulos de câmera e como explora bem seus atores e cenários. Aliás, seus atores... Emily Blunt nos entrega mais uma linda performance, sou fã de seu trabalho em "O Diabo Veste Prada" e como a jovem Victoria está segura e completamente crível.

O elenco de apoio tem uma participação de luxo do sempre competente Jim Broadbent que dá um showzinho como o tio da jovem, rei até ela completar 18 anos. Paul Bettany, também sempre linear, nos mostra um primeiro-ministro muito, muito bem feito e Rupert Friend, apesar de ser mais fraco, convence como o príncipe Albert e a excelente atuação de Mark Strong como o desprezível secretário John Conroy.

O filme no geral não decepciona, pega um tema que pode facilmente cair na mesmice e conta uma bela história de forma leve, com atuações marcantes, uma direção segura e de um jeito que você fica realmente satisfeito enquanto os créditos sobem na tela. Vale a pena.


Nota: 8,5